Bandidos, mas nem tanto!
Prof. Marco F
" Eu conversei com os ladrões que tentavam levar o meu carro e eles não fizeram isso porque trabalhava como " fessora" de seus amigos . Ouvi esta história de uma colega de trabalho , lá pelo início da década de 1990. Infelizmente, há bandidos, crianças e adolescentes, nos bancos escolares. O que desejamos é que a escola, transformadora, possa salvar alguns desses delinquentes juvenis. Os pais ou responsáveis por essas crianças, quando envolvidos com ilícitos, esperam que a escola resgate os pequenos. Nutrem um respeito grande pelos educadores, maior do que o demonstrado por classes sociais privilegiadas.
Dona Rosa, falecida há três anos, aos 103, quando estava brava com alguém, ou simplesmente aborrecida, chamava essa pessoa carinhosamente de " bandido". " Esse moleque não faz a cama logo cedo, ne
Prof. Marco F
" Eu conversei com os ladrões que tentavam levar o meu carro e eles não fizeram isso porque trabalhava como " fessora" de seus amigos . Ouvi esta história de uma colega de trabalho , lá pelo início da década de 1990. Infelizmente, há bandidos, crianças e adolescentes, nos bancos escolares. O que desejamos é que a escola, transformadora, possa salvar alguns desses delinquentes juvenis. Os pais ou responsáveis por essas crianças, quando envolvidos com ilícitos, esperam que a escola resgate os pequenos. Nutrem um respeito grande pelos educadores, maior do que o demonstrado por classes sociais privilegiadas.
Dona Rosa, falecida há três anos, aos 103, quando estava brava com alguém, ou simplesmente aborrecida, chamava essa pessoa carinhosamente de " bandido". " Esse moleque não faz a cama logo cedo, nem arruma seu quarto, sobra tudo para mim. É um bandido! ", " o bandido do motorista não parou no ponto, perdi o ônibus " ou " aquele bandido pisou no meu pé". Em nenhum dos casos houvera um crime, a doce velhinha apenas questionava atitudes de outras pessoas.
Na sala dos professores, um dos locais mais interessantes das escolas, costumo usar, provavelmente influenciado pela Dona Rosa, a palavra bandido para me referir aos alunos que nos dão trabalho, principalmente em questões disciplinares e de postura. Alguns colegas ficam horrorizados, acham um despropósito.
Não se trata de ofensa ou exagero, apenas uma brincadeira, nunca em sala de aula ou diante dos estudantes. Não pensem que imagino aquele jovem sendo preso, conduzido a uma casa de acolhimento de menores infratores. Não cometeram delitos, não são criminosos, mas como atrapalham o trabalho dos professores, e prejudicam o andamento das aulas, são " bandidos".
Há um traço comum no perfil desses " meliantes" : são inquietos, contestadores, incomodam colegas e professores. Várias vezes, lógico, também são malcriados.
Mas, contestar é fugir do habitual, um sinal de inteligência. Mil vezes alunos questionadores do que " vaquinhas de presépio". O professor deve ser o regente de uma orquestra de protagonistas.
Um enxadrista experiente consegue enxergar movimentos de seu adversário com antecedência, um novato comemora lances individuais.
O estudante inquieto, muitas vezes, é mais inteligente que seus colegas, no mínimo mais atento. No ginásio, atualmente ensino fundamental II, estudei com um rapaz que fazia perguntas aparentemente sem nexo algum, mas que constantemente eram elogiadas pelos professores. Nós, seus colegas, cansamos de rir dos seus questionamentos. Hoje percebo que, na maior parte das vezes, não os entendíamos. Esse rapaz, Marcelo, aos 13 ou 14 anos, estabelecia relações entre os temas discutidos em aula que demonstravam maturidade incomum.
" Professor, queria perguntar algo meio idiota!" . Assim, muitos começam suas indagações e falas.
Será que existem perguntas bobas? Professores não podem desestimular a participação de alunos nas aulas, seja com perguntas, opiniões ou comentários, coincidentes ou não com suas próprias convicções. Desde que exista respeito e as discussões não envolvam ofensas ou palavras inadequadas, viva as diferenças!
" Marco, você vai ficar decepcionado com minha revelação. Sou atéia! " . Ouvi isso de uma menina muito inteligente e bonita. Eu não sou ateu, não sei se você leitor acredita ou não em Deus, mas a sua opinião vale tanto quanto a minha ou da garota.
A polarização idiota nos faz defender este ou aquele político, independentemente de suas ações. Não seria melhor julgarmos atitudes e não pessoas?
Eu gosto muito de Orgânica e acredito que , no ensino médio, é um dos tópicos mais fáceis e interessantes da Química. ( na faculdade, para a 1ª prova de Orgânica Básica, estudamos 1300 páginas de um livro...) Curioso perceber que muita gente não gosta dessa parte da matéria.
Estou orientando um grupo de alunos para um trabalho escolar. O tema, " Química na Cozinha" , provoca os jovens, os faz ter interesse nas discussões. Mesmo assim, as pessoas nunca terão visões iguais de um mesmo assunto. O que atrai você, pode não ser interessante para os demais.
Já pensou, querido leitor, como é maluco saber que enxergamos as cores de maneiras diferentes? O meu azul, na sua avaliação, transforma-se em verde, tons de vermelho e laranja são muito próximos, cada um enxerga de um modo, e será que aquela parede é amarela esverdeada ou verde amarelada? Outro dia, um narrador de futebol queria saber se as camisas do uniforme n⁰ 3 do Santos Futebol Clube eram pretas ou azul marinho... Apesar da ignorância do jornalista, sem conhecimento prévio, apenas com a imagem da TV, era muito difícil cravar a cor do fardamento santista.
Por que as escolas se tornaram tão chatas? Por que os professores são tão desprezados? Há real interesse dos administradores públicos em melhorar o ensino?
Vendo comentários sobre educação em redes sociais, por parte de "especialistas", tenho uma imagem na cabeça : estive em coma induzido por 14 dias em 2019. Fui vítima de septicemia, infecção generalizada. Um pouco antes disso, já internado, quando o médico perguntou o que havia no meu braço, respondi que não era nada grave, apenas estava vermelho. Ele " agradeceu " o diagnóstico, mas disse que o especialista no assunto era ele e que aquela vermelhidão tinha um significado mais sério.
O Google facilitou o acesso ao conhecimento, mas permitiu que formemos opiniões, quase sempre superficiais, em assuntos distantes de nosso conhecimento.
Precisamos de educadores cuidando da educação. Que entendam as necessidades de alunos e professores, lutem por escolas plurais, estimulem o debate de ideias e formem seres humanos críticos, preparados para a vida.
Nas eleições de outubro, escolha candidatos, deputados e senadores, identificados com as questões educacionais. Escreva para aqueles que julga merecerem seu voto. Basta procurar os respectivos e-mails nos sites da Câmara Federal, Senado e Assembleia Legislativa Estadual .Se não obtiver resposta antes da eleição, imagine como será tratado após o pleito. Não merece o seu voto. Fuja dos oportunistas, não vote nos mesmos.
Para os cargos executivos, analise o programa de governo dos candidatos.
Um novo Brasil depende de cada um de nós.
Marco Aurélio Roccato Ferreroni,
55 anos
Bacharel em Química pelo IQUSP-SP
Radialista, Jornalista